sexta-feira, 28 de dezembro de 2007
Novidades para imprensa na China
A nova regulação da China para a imprensa estrangeira, que já entrou em vigor e se aplicará até 17/10/08 por causa dos Jogos Olímpicos, poderá ser mantida. O ministro do Escritório de Informação do Conselho de Estado, Cai Wu, destacou que as normas são temporárias, mas o documento “não diz que depois que elas expirarem tenhamos que voltar às anteriores”.
"Se a prática demonstra que as normas ajudarão a comunidade internacional a conhecer melhor a China e que elas são do interesse para os esforços chineses de abertura e desenvolvimento, não será necessário mudar uma boa política", acrescentou.
A partir de janeiro, jornalistas estrangeiros não terão que pedir permissão para viajar para a China ou fazer entrevistas. Ainda há resistências à regulação. O ministro pediu desculpas aos correspondentes que não têm conseguido resposta dos porta-vozes oficiais e pelos freqüentes problemas que estão enfrentando durante viagens a províncias – a regulação, apesar de vigorar oficialmente a partir de janeiro, já começou a ser testada.
"O sistema tem que melhorar, mas levará algum tempo. Publicamos os telefones dos porta-vozes oficiais para garantir que estejam em contato com a imprensa, e vamos vigiar de perto a implantação das novas normas em 2008", disse.
Entidades de defesa à liberdade de imprensa criticam o controle exercido pelo governo e as dificuldades que os correspondentes têm passado a menos de um ano dos Jogos Olímpicos.
As informações são da Agência EFE.
quarta-feira, 19 de dezembro de 2007
ALERTA: recorde de jornalistas mortos
Sobre o fato em si, cada vez mais jornalistas são mortos, presos ou obrigados a se calar. A cada dia um novo governante de um país brada contra a imprensa e a proíbe de trabalhar. Não temos outra alternativa: ou aumentamos o volume do grito contra os desmandos, ou perderemos a guerra pela liberdade de informação. Vejam:
“Entre janeiro e dezembro, 110 jornalistas foram assassinados, o que significa um aumento de 14% em relação a 2006, uma situação que é inaceitável", lamentou o secretário-geral da Campanha Emblema de Imprensa (PEC), Blaise Lempen. A entidade informou que o aumento chega a 60% se comparados os números com o ano de 2005, quando 68 jornalistas foram assassinados. A PEC acredita que a diferença seja explicada pela constante violação dos direitos humanos.
Desses 110 mortos, dois terços morreram em zonas de conflito, como Iraque, Afeganistão, Somália, Sri Lanka e República Democrática do Congo. "Jamais tantos jornalistas foram assassinados no exercício de sua profissão em um ano", alertou o grupo.
O Iraque continua sendo o país mais perigoso para o trabalho de jornalistas. Neste ano, 50 profissionais de imprensa morreram em território iraquiano. Ano passado foram 48. É o quinto ano consecutivo que o Iraque aparece no topo do ranking do relatório anual da organização, cuja sede fica em Genebra.
Na Somália, segunda nação mais perigosa, segundo a organização, oito repórteres foram assassinados este ano. Em 2006, um repórter morreu.
O Sri Lanka está em terceiro lugar, com sete repórteres mortos devido à intensificação da guerra civil no país, comparado a quatro em 2006.
A situação também piorou no Paquistão (cinco mortes), Afeganistão e Filipinas (quatro em cada um).
O Brasil faz parte da lista de países onde foram cometidos assassinatos contra jornalistas, como Honduras, Uzbequistão, Mianmar, Estados Unidos, Gana, entre outros.
Preocupado com a gravidade da situação, a presidente da PEC, Hedayat Abdel-Nabi, fez uma consulta mundial sobre a base de um anteprojeto de convenção sobre a proteção de jornalistas em zonas de conflito e violência. Segundo ela, a iniciativa já foi transmitida a todos os Estados-membros da ONU. A organização as respostas até março de 2008, quando quer dar início a um debate sobre as bases da convenção numa conferência internacional.
As informações são da Agência EFE.
terça-feira, 11 de dezembro de 2007
Venezuelanos apostam mais na liberdade de imprensa que brasileiros
Essa nota publicada no site www.comuniquese.com.br mostra o resultado de uma pesquisa que para nós, jornalistas, serve como ponto de reflexão. Sem querer interferir em nada, leiam, reflitam e dabatam. Boa leitura.
Para os venezuelanos, a imprensa tem liberdade de atuar de forma “precisa, verdadeira e imparcial”. Já os brasileiros não vêem essa liberdade na mídia nacional. Pelo menos este é o resultado de uma pesquisa encomendada pelo Serviço Mundial da BBC. Sessenta e três por cento dos venezuelanos acreditam na liberdade de imprensa local, enquanto entre os brasileiros, o índice cai para 52%. No ranking mundial de liberdade de imprensa - organizado pela Repórteres sem Fronteira (RSF) - o Brasil ficou em 84º lugar, enquanto a Venezuela está em 114º.
Como mostra a BB Brasil (http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/12/071207_pesquisaimprensa_fp.shtml), o estudo ouviu 11.344 pessoas. Todas responderam um questionário, cujo resultado foi divulgado nesta segunda-feira (10/12), como parte das comemorações dos 75 anos do Serviço Mundial da BBC. O relatório aponta que “a percepção dos venezuelanos sobre o desempenho da mídia é consideravelmente mais positiva do que em outros países da América Latina”. Quarenta e dois por cento dos venezuelanos avaliaram como “bom” o trabalho dos órgãos de comunicação controlados pelo governo. No Brasil e no México este número é de 25%.
Primeiros lugares
A imprensa é livre para 81% dos quenianos. Já na Índia, 72% consideram que há liberdade de imprensa no país. A Nigéria ficou em terceiro lugar, com 66%. O menor índice ficou com Cingapura – 36%. A média geral obtida nos 14 países pesquisados ficou em 56%.
Os entrevistados tiveram duas opções que tratam da liberdade de imprensa e estabilidade social. O estudo apresenta duas afirmações e pede para que eles digam o que se aproxima mais de sua visão. A primeira diz que a liberdade de imprensa “para relatar as notícias de maneira verdadeira é muito importante para assegurar que se viva em uma sociedade justa, mesmo que em alguns momentos (as notícias) levem a debates desconfortáveis e efervescência social”.
Já a segunda afirma que “enquanto a liberdade de imprensa para relatar os fatos de forma verdade é importante, a harmonia social e a paz são mais importantes, o que em algumas vezes significa controlar o que é noticiado pelo bem comum”.
Cinqüenta e seis por cento deles marcaram a primeira afirmação, 40% a segunda e 4% não souberam ou não quiseram responder.
O relatório aponta que os que destacaram a liberdade de imprensa têm visão mais crítica sobre a isenção dos meios de comunicação. Alemães, americanos e ingleses não avaliaram tão bem o desempenho da imprensa quanto à precisão e honestidade.
A pesquisa, realizada entre 01/10 a 21/11, também compara o desempenho do trabalho dos veículos de comunicação públicos e privados, a preocupação sobre a crescente concentração das empresas de comunicação e o desejo de participação da população sobre o que sai na mídia.
sábado, 8 de dezembro de 2007
Olimpíadas 2008 e a censura

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007
Bons trabalhos dos alunos
Abaixo, alguns dos exemplos feitos por eles. É importante salientar que os trabalhos que estarão abaixo foram publicados sem a minha correção. Portanto, eventuais erros fazem parte do processo de aprendizagem. Boa leitura:
Joyce Copstein
http://docs.google.com/Doc?id=dd9c5kxm_1mh7xx9kt
Júlia Timm
http://docs.google.com/Doc?id=dd9c5kxm_2c2b8ctdw
Luiz Felipe Mello
http://docs.google.com/Doc?id=dd9c5kxm_3c2x2q9fv
Ingrid Guerra
http://docs.google.com/Doc?id=dd9c5kxm_4dm953kdr
A guerra jornalística por Che

Abaixo segue a carta de Anderson para Schelp e outros jornalistas brasileiros. Logo após vem a resposta do brasileiro e, num link final, a tréplica do jornalista norteamericano. É uma boa discussão sobre como se faz ou se deve fazer o bom jornalismo. Acompanhem e tirem suas próprias conclusões.
Segue a íntegra do texto, em tradução publicada no blog de Pedro Doria na segunda-feira (12/11).
Caro Diogo.
Fiquei intrigado quando você não me procurou após eu responder seu email. Aí me passaram sua reportagem em Veja, que foi a mais parcial análise de uma figura política contemporânea que li em muito tempo. Foi justamente este tipo de reportagem hiper editorializada, ou uma hagiografia ou – como é o seu caso – uma demonização, que me fizeram escrever a biografia de Che. Tentei pôr pele e osso na figura super-mitificada de Che para compreender que tipo de pessoa ele foi. O que você escreveu foi um texto opinativo camuflado de jornalismo imparcial, coisa que evidentemente não é. Jornalismo honesto, pelos meus critérios, envolve fontes variadas e perspectivas múltiplas, uma tentativa de compreender a pessoa sobre quem se escreve no contexto em que viveu com o objetivo de educar seus leitores com ao menos um esforço de objetividade. O que você fez com Che é o equivalente a escrever sobre George W. Bush utilizando apenas o que lhe disseram Hugo Chávez e Mahmoud Ahmadinejad para sustentar seu ponto de vista. No fim das contas, estou feliz que você não tenha me entrevistado. Eu teria falado em boa fé imaginando, equivocadamente, que você se tratava de um jornalista sério, um companheiro de profissão honesto. Ao presumir isto, eu estaria errado. Esteja à vontade para publicar esta carta em Veja, se for seu desejo.
Cordialmente,
Jon Lee Anderson.
Resposta de Schelp
A resposta de Diogo Schelp foi publicada na quarta-feira (14/11) no blog de Reinaldo Azevedo, hospedado no site de Veja.
Caro Anderson, Eu fiquei me perguntando, depois de lhe enviar um e-mail pedindo (educadamente) uma entrevista, por que nunca recebi uma resposta sua. Agora sei que a mensagem deve ter-se perdido devido a algum programa antispam ou por qualquer outra questão tecnológica. Também não recebi sua “carta” – talvez pelo mesmo problema. Tudo isso não tem a menor importância agora porque você resolveu o assunto valendo-se dos meios mais baixos – um e-mail circular. O que lhe fez pensar que tinha o direito de tornar pública nossa correspondência, incluindo a mensagem em que eu (educadamente) pedia uma entrevista? Isso, caro Anderson, é antiético. Vindo de alguém que se diz um jornalista, é surpreendente. Você pode não gostar da reportagem que escrevi; ela pode ser boa ou ruim, bem-escrita ou não, editorializada ou não – mas não foi feita com os métodos antiéticos que você usa. Eu respeito a relação entre jornalistas e fontes. Você não. E mais: parece-me agora que você é daquele tipo de jornalista que tem medo de fazer uma ligação telefônica (assim são os maus jornalistas), já que tem meu cartão de visita e conhece meu número de telefone. Se você tinha algo a dizer sobre a reportagem — e já que sua mensagem não estava chegando a seu destino — poderia ter me ligado. Eu não sei que tipo de imagem de si mesmo você quer criar (ou proteger) negando os fatos que o seu próprio livro mostra, mas está claro agora que é a de alguém sem ética.
Você pode ficar certo de que não aparecerá mais nas páginas desta revista.
Sem mais,
Diogo Schelp
Link com a tréplica de Anderson original -
http://danielslopes.blogspot.com/2007/11/trplica-de-jon-lee-anderson.html
traduzido -
http://www.pedrodoria.com.br/2007/11/18/jon-lee-anderson-e-sua-treplica/